Poucas marcas no Brasil alcançaram o que a Dorflex construiu:
Mais de 40 anos de presença no mercado, liderança absoluta no seu segmento e um nome que se tornou quase sinônimo da categoria.
Mas até mesmo uma marca tão forte precisou defender sua exclusividade nos tribunais. E essa batalha, que começou em 2013, mostra como a distintividade e o registro da sua marca são fundamentais para proteger o seu negócio.
Doralflex e Neodoraflex: por que a semelhança virou problema?
A Sanofi, detentora da marca Dorflex, viu surgir no mercado os pedidos de registro das marcas Doralflex e Neodoraflex, apresentados pela Pharmascience.
No primeiro momento, parecia apenas uma variação do nome: acrescentar “al” ou “neo” a um nome já conhecido. Mas para quem consome medicamentos, muitas vezes sem analisar rótulos, a semelhança era gritante. Todos eram analgésicos, vendidos nos mesmos locais, com a mesma finalidade.
Foi o suficiente para a Sanofi acionar a Justiça em busca da nulidade dos registros.
O que os tribunais enxergaram na disputa
O processo percorreu três instâncias na Justiça.
Nas duas primeiras, a Justiça entendeu que as marcas não tinham diferenciação suficiente em relação à marca Dorflex e determinou sua nulidade. O processo seguiu para o STJ, onde o tema ganhou um novo debate entre os ministros.
De um lado, alguns entendiam que as palavras “dor” e “flex” eram genéricas e não poderiam gerar exclusividade absoluta.
Do outro, prevaleceu o argumento de que a combinação dos termos havia se tornado suficientemente distintiva e era facilmente reconhecida pelo público ao longo do tempo.
A relatora, ministra Nancy Andrighi, destacou quatro pontos principais para a decisão:
- Grau de distintividade
Apesar de “dor” e “flex” serem termos comuns, a junção criou uma expressão única. - Grau de semelhança
Doralflex e Neodoraflex não tinham diferenciação suficiente para evitar a confusão do consumidor. - Tempo de mercado
Dorflex já tinha mais de 40 anos de registro de marca e ampla notoriedade no mercado. - Natureza dos produtos
Todos eram analgésicos, vendidos nos mesmos pontos, o que aumentava a chance de associação indevida.



